Open source e confiança
Esses dia vi um post muito bom sobre a configuração do Obsidian para quem escreve muito. O Sol2070 entra em detalhes de como fazer um setup focado em escrita e captura de conteúdos da web usando o webclipper do Obsidian. Tanto para quem já usa, quanto para quem está começando, esse é um excelente tutorial e muito bem escrito, recomendo bastante. Mas um dos pontos levantados pelo Sol é que o Obsidian não tem seu código aberto e isso pode ser visto como um problema por algumas pessoas.
Um problema sério de depender intensamente de um programa gratuito de código fechado é que, no futuro, ele pode piorar muito. Por exemplo, pode ser adquirido por uma corporação (esse é o objetivo da maioria) e degenerar completamente. O usuário é que se ferra (é A bostificação da internet (enshittification), a “evolução” padrão dos serviços de big techs. Uma versão do golpe: primeiro, atraia usuários oferecendo tudo de graça; depois, quando todo mundo estiver refém, piore o serviço; no fim, cobre para não piorar). Já se o código for aberto, alguém cria uma versão (fork) livre e pronto, sem perigo. Como a empresa insiste em não abrir o código (o Obsidian já é gratuito), apesar dos pedidos da comunidade, isso é um sinal preocupante. É provável que a motivação oculta dessa negativa seja: abrir o código acabaria com a exclusividade da empresa e com um modelo de negócios baseado, potencialmente, em manter refém quem usa. No caso do Obsidian, migrar para outro aplicativo não seria tão difícil mas, ainda sim, nada confortável.
Concordo totalmente, o que salva o Obsidian é ele não é nada mais que um editor de textos, onde cada arquivo esta salvo offline no seu computador ou celular. Mas o que garante que no futuro os planos do Obsidian mudem? Que uma oferta irrecusável de uma grande empresa da tecnologia não faça com que a venda seja inevitável? Muitos adorariam receber uma proposta onde o resultado é não precisar trabalhar pelo resto da vida.
Um projeto de código aberto, dá o usuário essa segurança de continuidade, um fork onde o trabalho é continuado por outro grupo de desenvolvedores apaixonados pelo programa, com ajuda da comunidade para que todos saiam ganhando.
Um exemplo disso é outro aplicativo de notas, o Trilium, iniciado pelo incrível Zadam em 2017 e foi ativamente desenvolvido, junto da comunidade até 2024. Foram 7 anos a frente desse projeto, mas a vida segue e Zadam colocou o projeto em modo de manutenção. Mas graças ao código aberto, isso não foi o fim do Trilium. A comunidade se reuniu, tudo de forma aberta no GitHub, e assumiram o projeto com um novo lider, o Eliandoran. Após uma rápida mudança de nome de Trilum para TriliumNext, o projeto renasceu, com novas funcionalidades e desenvolvimento acelerado. O fim na verdade foi um novo começo.
Genuinamente espero que o time por trás do Obsidian abra as portas do cofre e liberem o código. A comunidade do Obsidian é gigantesca, com muitos desenvolvedores ativos criando plugins e funcionalidades, o futuro é altamente promissor se o código for disponibilizado para a comunidade
Mas enquanto isso não acontece, seja bem cético sobre as decisões do time por trás do Obsidian, já vimos essa história se repetir mais vezes do que gostaríamos, um excelente programa, amado pela sua comunidade, sendo vendido e, ou se tornando uma porcaria ou simplesmente deixando de existir por ganância da empresa que comprou. Faça seus backups e fique sempre de olho em alternativas, nunca se sabe quando elas vão ser necessárias.
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