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Jovens e raiva

Sinto que os jovens de hoje não têm a mesma raiva que tinham “no meu tempo”. Talvez pela falta de esperança no futuro? Talvez pela sensação de impotência? Ou talvez nunca foram ensinados a questionar?

Com tudo cada vez mais conectado, sabemos de tudo o que acontece ao redor do mundo quase que instantaneamente, você queira ou não. E todos sabemos que notícias ruins, tendenciosas, pessimistas são as primeiras (ou talvez únicas) a nos atingir. Como manter a esperança em um futuro que não acreditamos sequer que vai acontecer? Para que lutar por algo que sabemos que não vamos vencer?

E mesmo que, contra todas as probabilidades, essa luta venha a acontecer, o que garante que alguma coisa vai mudar? O que garante que o inimigo pode ser vencido? Como ter forças para lutar contra um sistema opressor? É tão mais cômodo deixar as coisas acontecerem, deixar o rio seguir seu curso, olhar de fora e não fazer nada, só sentir as consequências e deixar por isso mesmo.

Talvez seja simplesmente porque nunca aprenderam a questionar, a perguntar o motivo de as coisas estarem como estão. O pensamento crítico tem de ser cultivado, ensinado, nutrido. Adultos acomodados geram filhos acomodados, filhos que não questionam, ou, se questionam, são reprimidos prontamente.

Comecei este texto com essa dúvida direcionada aos jovens que estão ao meu redor: não vejo raiva, não vejo vontade, não vejo luta. Mas talvez, no fim, não seja sobre os jovens; talvez seja sobre nós mesmos, sobre como nos tornamos acomodados com tudo o que acontece ao nosso redor. Como escolhemos a praticidade, a forma mais fácil, em vez do atrito que talvez mude alguma coisa.

Não deixe as coisas continuarem como estão só porque é mais fácil assim. Seja o que for, lute pelo que acredita.

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